Novidades no tratamento do cancro da mama apresentadas na ASCO 2025

O Dr. Nuno Teixeira Tavares, oncologista, explica os avanços mais recentes que podem melhorar os tratamentos e a qualidade de vida das doentes

A maior conferência mundial de oncologia - a ASCO, que acontece todos os anos em Chicago - apresentou, este ano, várias novidades importantes no tratamento do cancro da mama.
O Dr. Nuno Teixeira Tavares, médico oncologista, esteve presente e partilhou os estudos que considera mais promissores. Muitos deles trazem esperança a quem está a passar por esta doença.

Os avanços foram importantes para os vários tipos de cancro da mama, em especial para os casos mais avançados (também chamados metastáticos). Um dos estudos destacou uma nova combinação de medicamentos que pode aumentar o tempo de vida das doentes e atrasar a necessidade de quimioterapia.

Outro estudo trouxe uma novidade: usar um exame ao sangue (chamado ctDNA) para detetar se o tumor está a ficar resistente ao tratamento — antes mesmo de haver sinais no corpo ou nos exames de imagem. Esta estratégia permite mudar o tratamento mais cedo e evitar que a doença avance.

"Este estudo é um marco na oncologia. Permite-nos agir antes do tumor crescer”, explicou o médico.

Também foram apresentados tratamentos que se adaptam melhor ao tipo de tumor de cada pessoa, tornando-os mais eficazes.
Num dos estudos, uma nova classe de medicamentos mostrou bons resultados num grupo específico de doentes, com menos efeitos secundários.

Outro avanço importante foi num tipo específico de cancro da mama (HER2 positivo). Um novo tratamento mostrou resultados melhores do que o atual - com mais tempo de controlo da doença -, embora exija atenção a um efeito secundário mais raro: problemas graves nos pulmões.

Em doentes com cancro da mama num estádio mais precoce, os investigadores testaram se seria possível reduzir a dose da quimioterapia sem prejudicar os resultados. Os dados foram positivos: ao tirar um dos medicamentos mais agressivos, as doentes continuaram a responder bem e tiveram menos efeitos adversos.

Por fim, num dos tipos mais agressivos de cancro da mama (triplo negativo), um novo tratamento em combinação com imunoterapia conseguiu atrasar o avanço da doença. Este é um avanço muito importante, porque muitas vezes estas doentes não têm tempo para chegar a um segundo tratamento.

“Estamos a caminhar para tratamentos cada vez mais personalizados, que ajudam as pessoas a viver mais tempo e com mais qualidade de vida. O nosso papel, como médicos, é escolher a melhor opção para cada doente.”